Thursday, December 23, 2004

Comercial é o Natal

Natal é cor
Natal é amizade
Natal é são arvores grandes pra caralho
em frente aos nossos monumentos

Natal é felicidade
Natal é alegria
Natal é passar os fins de semana nos centros comercias
a comprar merdas coisas para oferecer a pessoas das quais a maior parte das vezes nem sequer gostamos, mas que fica bem dar um lembrancinha e o caralho
Natal é ter de aturar as putas criancinhas dos outros a mexerem em tudo e a escolherem as prendas, apesar de se terem portado mal e chumbado de ano e serem uns mal educados de primeira

O Natal é isto
Foda-se

Shakespeare Araujo
[2004]

Wednesday, November 24, 2004

Ramalho

Poema dedicado ao nosso presidente, o General Ramalho Eanes.

Foste novo para a guerra
lutavas como um leão
mas és muito feio
para aparecer na televisão

E foi como heroi
que voltaste para a Nação
mas és muito feio
para aparecer na televisão

Os novos e os velhos
tratam-te como um irmão
mas és muito feio
para aparecer na televisão

És o nosso presidente
general de coração
mas és muito feio
para aparecer na televisão

Shakespeare Araujo
[1980]

Friday, November 19, 2004

Fiquei esquecido

Fiquei só
sozinho

foi assim que fiquei
quando tu partiste
e me deixaste
sem rumo
sem destino
sem nada

mas voltei a sorrir
quando voltaste
porque tinhas esquecido
qualquer coisa
lá em casa

mas não era eu

Shakespeare Araujo
[2000]

arte no tempo perdido

perdi a esperança
perdi a fé
perdi dinheiro nos negocios
perdi a alma
perdi o pé
mas nunca pedi ajuda
perdi a liberdade
perdi o amor
perdi amigos e irmãos
perdi tudo nesta vida
e já perdi tempo demais
a escrever

Shakespeare Araujo
[2002]

Thursday, November 18, 2004

Tasco

Desço a rua
no teu encalço
mas não te alcanço
subo a rua
em passo rápido
mas não me canso
paro no tasco
bebo mais uma
e sigo viagem

Shakespeare Araujo
[2002]

Wednesday, November 17, 2004

adeus

entreguei-me a ti
entreguei-me
porque estava só
mas agora fiz um amigo
que estava num canil sozinho
e não preciso mais de ti
para me aquecer
nas noites frias
da dor
adeus

Shakespeare Araujo
[2001]

Emoções ao relento

entrei
entrei para te ver
procurei por todo o lado
e não te vi
estava escuro
liguei o interruptor
acendi a luz
tu não estavas
fui embora
desliguei a luz
estava escuro

e não te vi

Shakespeare_Araujo
[2001]

sem brilho

confia em mim
tal como eu confio em ti
e mostra-me os teus defeitos
que eu tenho muito tempo
tal como eu te mostraria os meus
se os tivesse
talvez
porque a tua luz é linda
mesmo assim sem brilho

Shakespeare Araujo
[2001]

Marcas no meu corpo

mutilei o meu corpo
por
ti
mutilei a minha alma
por
ti
não ligaste
nem tremeste
agora tenho dores
por
ti
e pena tenho

e muita
de meu corpo ter
mutilado
e do teu nada
ter
sentido

Shakespeare Araujo
[2002]